Quando a criatura acha que criou algo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

*Nunca É Tarde*

Talvez a minha lembrança mais antiga com você seja a mais antiga e documentada: na Praia de Icaraí, quando "aquilo" ainda era chamado de praia, com ondas próprias para o "caixote", areia limpa. Talvez essa lembrança seja um pouco fabricada, afinal de tanto olhar a foto posso ter realmente criado um dia inteiro. Mas enfim, não há volta, e essa lembrança, real ou não, existe. Eu, um bebêzão de 2 anos, você um pai um pouco estabanado, atlético, vaidoso.

E, desde meus 7 anos fazendo parte da estatística de pessoas com pais separados, é praticamente desde o divórcio que não sentamos e conversamos por mais de meia hora. Quase 10 anos de silêncio. Sem convívio, sem afeto, somente seu nome na minha ID. O mais estranho é que nunca lamentei por mim, somente por você. Não que me julgue grandes coisas como filha, nem como nada, mas acho que quando deixamos um filho de lado, deixamos nossa própria história pra trás. Um pedaço importante de nós fica sem continuidade, sem porquê. E não há razão pra isso, nunca houve. E também nunca acreditei que você pudesse mudar nesse aspecto, e também por isso nunca lamentei.



Mas, olha só, você mudou. Sim, o mundo dá muuuitas voltas.



E não, nunca é tarde, pai.

0 criatura(s):